Skip to main content

The Legend of Zelda: Breath of the Wild – Review

Joguei Zelda pela primeira vez há quase 20 anos atrás, com Ocarina of Time.

Naquela época, com não mais do que 10 anos de idade e sem acesso à internet ou qualquer tipo de informação que hoje em dia é tão fácil de se ter, meu primeiro contato foi um aluguel de fita descompromissado por ter achado o cartucho dourado algo descolado.

Mal sabia eu como aquele jogo mudaria minha vida para sempre e seria uma das minhas maiores motivações para ter a Nintendo sempre presente dali em diante.

Ocarina of Time era capaz de me cativar pelos mais diversos motivos. Seja pela história e personagens tão bem desenvolvidos até para os dias atuais, pela trilha sonora repleta de músicas marcantes, ou por ser um dos primeiros games com um mundo aberto 3D que te dava ampla liberdade e motivação para explorar tudo ao seu redor. São lembranças bonitas e que me fazem querer voltar àquele mundo sempre que penso nele.

Desde então, nenhum outro jogo me impactou da mesma forma, dentro ou fora da série Zelda. Até eu jogar Breath of the Wild…

Quando a Nintendo falou sobre o game pela primeira vez, era prometido que as convenções da série seriam quebradas. Algo necessário, considerando que a estrutura pouco mudou desde Ocarina of Time. Com o jogo sendo revelado aos poucos, ficava cada vez mais claro que Zelda estava finalmente percorrendo novos caminhos e ficando grande, REALMENTE grande.

Mas qualquer ideia que você tinha do jogo é elevada a outro patamar assim que você começa a jogá-lo.

Ao contrário dos outros títulos da série em que sua maior motivação era ver a história se desenvolver, aqui a atividade mais prazerosa é a exploração. E percorrer Hyrule de uma ponta a outra não leva menos do que MUITAS horas. Não porque o mundo é gigantesco (ele é), mas porque a Nintendo foi capaz de preenche-lo de modo que o percurso ficasse rico e desafiador.

Há inimigos nada fáceis em basicamente todo lugar, e mesmo onde não há, o jogo compensa com montanhas, lagos, árvores, variações de tempo que impactam diretamente na jogabilidade, além de segredos onde você menos espera.

Não só isso, mas perdi a conta de quantas vezes tracei como objetivo chegar em um determinado lugar e desisti antes de chegar até lá, simplesmente porque no caminho encontrava lugares e missões que acabavam me prendendo ou mudando meu percurso para outras direções. É um mundo realmente vivo e que te atiça a explorá-lo o tempo todo (e várias missões importantes são feitas dessa forma).

Se essa fosse a única mudança grandiosa na série, não seria pouco. Mas não para por aí.

Em outros Zeldas, combates utilizando uma espada eram suficientes para vencer grande parte dos inimigos, e poucos itens eram de fato vulneráveis ou destrutíveis. Em Breath of the Wild, basicamente todas as armas disponíveis tem durabilidade limitada, sejam espadas, lanças, escudos, arcos, ou o que for, variando de acordo com o tamanho do inimigo enfrentado e as circunstâncias. Uma flecha elétrica por exemplo tem maior poder na chuva, enquanto uma arma de metal pode atrair raios e te matar instantaneamente com as mesmas condições climáticas.

Falando em morte, a tela de Game Over é recorrente nesse jogo e não há porque se sentir mal com isso. Além do mundo e inimigos serem extremamente inteligentes e desafiadores, não há mais corações disponíveis à sua volta para te salvar. Aqui, sua energia é recuperada também através de itens descobertos no decorrer do jogo. Cogumelos e frutas te dão corações (e é essencial coletar MUITOS desses), mas cozinhá-los com outros itens criam “refeições” mais parrudas, que dão mais corações, stamina e resistência à situações diversas como um frio mais pesado e assim por diante. Percebe a importância da exploração aqui?

Já a estrutura de dungeons e ordem obrigatória das missões também não existe mais. Quer dizer, as dungeons estão lá, mas em menor quantidade e tamanho. Se é que o nome Dungeon (calabouço) faz sentido aqui, já que agora tais lugares fazem parte daquele mundo de uma maneira tão orgânica que você só percebe que entrou em um quando já está executando ações dentro destes. Além disso, não mais são obrigatórios, ou seja, você pode ir diretamente para o chefe final e simplesmente esquecê-los, ou explorar Hyrule e realizar as sidequests que quiser por centenas de horas até de fato decidir seguir com a história. Para compensar, você tem Shrines (santuários), que nada mais são do que mini-dungeons espalhadas (escondidas) por toda Hyrule e que quando completadas, te dão recompensas importantes.

Por fim, não poderia deixar de falar da história. Zelda sempre foi sinônimo de histórias profundas e impactantes que serviam como principal motivação para chegar ao final do jogo. Não que a história de Breath of the Wild não seja assim, mas ela é inserida dentro de um mundo tão vasto e complexo, que acaba ficando em segundo plano. E vai por mim, você vai preferir que seja assim.

O mesmo vale para a trilha sonora. Em outros jogos, tínhamos trilhas grandiosas, repletas de instrumentos e que faziam toda a diferença no contexto em que eram inseridas. Aqui você tem diversas trilhas orquestradas bem produzidas (o tema principal é particularmente meu favorito), mas a grande maioria dos lugares tem músicas mais discretas, focadas em toques de piano, pois não mais são essenciais para sua experiência. Pelo contrário, Breath of the Wild te instiga a ouvir o que está acontecendo ao seu redor. Essa é sua verdadeira trilha sonora. A música apenas complementa essa “trilha”.

Mas nem tudo são flores, claro. O jogo sofre de queda de framerates constantes, que não chegam a atrapalhar, mas são evidentes. É notável que o jogo foi feito para extrair o limite do hardware no qual foi pensado (Wii U), e por isso passa por problemas assim, mesmo que a direção de arte muitas vezes te faça esquecer que não está em um hardware de ponta.

Além disso, os controles são um pouco confusos. Como há muitas ações espalhadas em todos os botões, é fácil de confundi-las justamente pela disposição que se encontram, algo que não é possível mudar (pelo menos por enquanto). Em alguns momentos me via confundindo botões e morrendo por não executar a ação que eu gostaria de fazer de fato.

Mas detalhes assim são ofuscados perto de tudo que Breath of the Wild conseguiu realizar.

Eu poderia escrever outras dezenas de parágrafos comentando cada mudança que foi feitana estrutura de Zelda, ou cada detalhe, por menor que seja, que foi inserido no jogo e fará sorrisos de canto aparecerem em você.

A Nintendo não estava brincando quando prometeu quebrar toda e qualquer convenção estabelecida na série, sem jamais fazer o jogador esquecer que está no mundo de Zelda. E em meio a uma geração com tantos jogos de mundo aberto, Breath of the Wild conseguiu elevar o patamar do gênero dentro de uma Hyrule surrealmente vivA e inteligente. É fato que será daqui pra frente um exemplo a ser seguido para jogos futuros, assim como foi Ocarina of Time em seu época.

E como é bom, após 20 anos, poder sentir exatamente aquela mesma sensação que só tive quando criança. A Nintendo fez história mais uma vez e criou não só o melhor Zelda, mas um dos melhores games de todos os tempos, se não o melhor.

Bem-vinda de volta, Nintendo.

NOTA: 10

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *